Em 2004, George
Siemens publicou um artigo em que argumentava que as três principais teorias da
aprendizagem (behaviorismo, cognitivismo e construtivismo) foram desenvolvidas
em uma época na qual a tecnologia não tinha um impacto tão notório sobre
aspectos muito diversos de nossa vida. Além disso, indicava que o contexto
atual atribui um papel importante não só à tecnologia no processo de
armazenamento de informação (e inclusive de aprendizagem), como também à
aprendizagem informal e às organizações como entes que aprendem — aspectos que,
de sua perspectiva, não são considerados pelas teorias de aprendizagem
clássicas.
Com esse preâmbulo, Siemens apresenta o conectivismo como uma teoria alternativa que busca integrar os princípios de várias teorias de outras áreas. Da teoria do caos, para começar, depreende-se que a mudança rápida de um conjunto de condições de informações iniciais, e aparentemente não conectadas entre si, pode alterar a validade das conclusões e decisões tomadas por um indivíduo, o que torna crucial a habilidade de reconhecer o significado existente em padrões de mudança e de se adaptar a eles.
O termo “conectivismo” deve-se justamente à ênfase nas conexões, aspecto apresentado como diferenciador em relação ao behaviorismo, ao cognitivismo e ao construtivismo (cujas palavras-chave são o comportamento, a cognição e a construção, respectivamente). As conexões, junto com os nós, constituem redes nas quais ocorre a aprendizagem em três níveis diferentes.
O primeiro deles refere ao nível biológico, pois nosso cérebro é uma rede complexa de relações entre neurônios. Nesse nível, as conexões (chamadas de sinapses) são criadas e mantidas mediante processos eletroquímicos, gerando uma característica denominada neuroplasticidade, ou seja, a capacidade cerebral de moldar-se a si mesmo de modo permanente ao longo da vida. A aprendizagem, em seu sentido mais fundamental, é a formação de novas conexões neuronais.
Um segundo nível, chamado de conceitual, sugere que a profundidade da compreensão esteja relacionada à rede conceitual que cada aprendiz forma e ao grau de consistência das conexões entre ideias e conceitos em uma área disciplinar específica. Nesse nível, as conexões criam significado, e a habilidade de apreender novas informações depende da rede conceitual existente. As conexões formam-se naturalmente, através de processos de associação, em vez de ser construídas mediante uma ação deliberada. Uma vez que os métodos de representação da aprendizagem passam a ser importantes para tornar visível a rede existente, mecanismos como os mapas conceituais adquirem predominância.
O terceiro nível corresponde ao ambiente social externo de cada indivíduo. Nesse nível, as relações que mantemos com outras pessoas e com a informação externa são essenciais para ampliar nosso conhecimento. Por sua vez, as ferramentas tecnológicas atuais têm um papel crucial, na medida em que permitem o acesso potencial a uma rede muito mais ampla de pessoas e ideias. Essa rede externa, que articula meios, pessoas e ferramentas, através dos quais cada um de nós obtém, produz e gere a informação, é chamada de ambiente pessoal de aprendizagem.
Desde o seu surgimento, existe uma discussão vigente e inconclusa sobre o fato de o conectivismo constituir uma nova teoria da aprendizagem, pois, tal como para qualquer outra teoria, são necessários resultados de pesquisa que confirmem ou refutem sua validade. Por outro lado, diversos críticos assinalam que as ideias que propõem já estão incluídas nas teorias existentes — por exemplo, argumenta-se que a ênfase nas conexões não é um assunto novo na aprendizagem, mas que está na base da teoria sociocultural de Vygotsky e, posteriormente, na teoria da atividade. Isso levou a exercícios que explicitam as diferenças entre cada uma dessas teorias e que demonstram como elas se complementam, já que explicam tipos de aprendizagem diferentes.
Quando se considera que o conhecimento está distribuído em uma rede e que a aprendizagem depende da criação de conexões e diferentes níveis, decorre disso que todos os membros de uma rede de conhecimento conectivo estão em igualdade de condições quanto às suas possibilidades de interação. Isso obriga o docente a se reconhecer como um nó a mais da rede, em lugar de se ver como seu protagonista central, e a imaginar mecanismos mediante os quais possa exercer influência nela, em vez de pretender controlá-la, enquanto promove uma distribuição efetiva do papel docente na rede. Nesse sentido, trata-se de atribuir responsabilidade a todos os participantes sobre o próprio processo e o dos demais, além de cada indivíduo reconhecer-se como aprendiz permanente.
As ideias do conectivismo confrontam-nos com o enorme potencial que temos atualmente para cultivar redes pessoais de grande alcance e com a nossa responsabilidade sobre esse processo nos âmbitos pessoal e docente. As redes são a compreensão emergente de nosso tempo, e temos diante de nós o desafio de pensar em como tirar proveito desse novo olhar do mundo para responder aos grandes problemas do momento histórico em que nos encontramos. Essa é a tarefa que nos cabe.
Com esse preâmbulo, Siemens apresenta o conectivismo como uma teoria alternativa que busca integrar os princípios de várias teorias de outras áreas. Da teoria do caos, para começar, depreende-se que a mudança rápida de um conjunto de condições de informações iniciais, e aparentemente não conectadas entre si, pode alterar a validade das conclusões e decisões tomadas por um indivíduo, o que torna crucial a habilidade de reconhecer o significado existente em padrões de mudança e de se adaptar a eles.
O termo “conectivismo” deve-se justamente à ênfase nas conexões, aspecto apresentado como diferenciador em relação ao behaviorismo, ao cognitivismo e ao construtivismo (cujas palavras-chave são o comportamento, a cognição e a construção, respectivamente). As conexões, junto com os nós, constituem redes nas quais ocorre a aprendizagem em três níveis diferentes.
O primeiro deles refere ao nível biológico, pois nosso cérebro é uma rede complexa de relações entre neurônios. Nesse nível, as conexões (chamadas de sinapses) são criadas e mantidas mediante processos eletroquímicos, gerando uma característica denominada neuroplasticidade, ou seja, a capacidade cerebral de moldar-se a si mesmo de modo permanente ao longo da vida. A aprendizagem, em seu sentido mais fundamental, é a formação de novas conexões neuronais.
Um segundo nível, chamado de conceitual, sugere que a profundidade da compreensão esteja relacionada à rede conceitual que cada aprendiz forma e ao grau de consistência das conexões entre ideias e conceitos em uma área disciplinar específica. Nesse nível, as conexões criam significado, e a habilidade de apreender novas informações depende da rede conceitual existente. As conexões formam-se naturalmente, através de processos de associação, em vez de ser construídas mediante uma ação deliberada. Uma vez que os métodos de representação da aprendizagem passam a ser importantes para tornar visível a rede existente, mecanismos como os mapas conceituais adquirem predominância.
O terceiro nível corresponde ao ambiente social externo de cada indivíduo. Nesse nível, as relações que mantemos com outras pessoas e com a informação externa são essenciais para ampliar nosso conhecimento. Por sua vez, as ferramentas tecnológicas atuais têm um papel crucial, na medida em que permitem o acesso potencial a uma rede muito mais ampla de pessoas e ideias. Essa rede externa, que articula meios, pessoas e ferramentas, através dos quais cada um de nós obtém, produz e gere a informação, é chamada de ambiente pessoal de aprendizagem.
Desde o seu surgimento, existe uma discussão vigente e inconclusa sobre o fato de o conectivismo constituir uma nova teoria da aprendizagem, pois, tal como para qualquer outra teoria, são necessários resultados de pesquisa que confirmem ou refutem sua validade. Por outro lado, diversos críticos assinalam que as ideias que propõem já estão incluídas nas teorias existentes — por exemplo, argumenta-se que a ênfase nas conexões não é um assunto novo na aprendizagem, mas que está na base da teoria sociocultural de Vygotsky e, posteriormente, na teoria da atividade. Isso levou a exercícios que explicitam as diferenças entre cada uma dessas teorias e que demonstram como elas se complementam, já que explicam tipos de aprendizagem diferentes.
Quando se considera que o conhecimento está distribuído em uma rede e que a aprendizagem depende da criação de conexões e diferentes níveis, decorre disso que todos os membros de uma rede de conhecimento conectivo estão em igualdade de condições quanto às suas possibilidades de interação. Isso obriga o docente a se reconhecer como um nó a mais da rede, em lugar de se ver como seu protagonista central, e a imaginar mecanismos mediante os quais possa exercer influência nela, em vez de pretender controlá-la, enquanto promove uma distribuição efetiva do papel docente na rede. Nesse sentido, trata-se de atribuir responsabilidade a todos os participantes sobre o próprio processo e o dos demais, além de cada indivíduo reconhecer-se como aprendiz permanente.
As ideias do conectivismo confrontam-nos com o enorme potencial que temos atualmente para cultivar redes pessoais de grande alcance e com a nossa responsabilidade sobre esse processo nos âmbitos pessoal e docente. As redes são a compreensão emergente de nosso tempo, e temos diante de nós o desafio de pensar em como tirar proveito desse novo olhar do mundo para responder aos grandes problemas do momento histórico em que nos encontramos. Essa é a tarefa que nos cabe.


